Olhando para o céu, ouvindo o barulho das gotas de água da chuva lá fora, todos os pensamentos remetem a você. Aliás, não preciso de chuva, alguma melodia ou cena de filme para que recordações ressurjam na minha mente exausta. E não é só a lembrança de você, mas de como eu era há anos atrás. De como eu não demonstrava o que sentia e isso me prejudicava imensamente, me privando de viver o que eu mais queria.
Achei que já tivesse amado verdadeiramente outro cara até você aparecer na minha vida da maneira mais trivial possível. Inicialmente com conversas corriqueiras e logo depois eu já me via pronunciando coisas que jamais revelaria a outro alguém. A forma como você mexe comigo é completamente inacreditável.
Mas aí vieram discussões banais, por motivos que nem sequer existiam de verdade (ou até existiam!). Nós dois enxergamos além da realidade e nosso laço foi completamente rompido, da maneira mais dolorosa possível, em meio a choros e ofensas mútuas. Isso me doeu e ainda é uma ferida aberta no meu peito, até mesmo por saber que também contribuí para que isso acontecesse, fruto da insegurança que sempre me perturbou. Meu bem, mas sabe? É que quando encontramos algo que nos tira dessa realidade sufocante, nos tocando e acariciando o fundo da alma, temos medo também. Medo de sentir ainda mais, se tornar vulnerável demais e se magoar demais.
Hoje eu sei que não vale tanto a pena toda essa cautela. Eu só quero te ter outra vez e poder te mostrar diariamente o mais belo dos sentimentos. Só pra você e por você. A única coisa necessária é me mostrar. Me mostrar que você é diferente. Me mostrar que por você vale a pena lutar.
(Suellen Oliveira)